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Profa. Dra. Adriana A. Ramazzina
Resumo da Tese de Mestrado
Padrões Funerários Púnicos na Sicília: as necrópoles
de Palermo e de Lilibeu
A pesquisa realizada no Mestrado teve como objetivo identificar os padrões
funerários púnicos na Sicília, através do estabelecimento
de uma tipologia tumbal baseada na análise sistemática das
necrópoles púnicas de Palermo e de Lilibeu, suas sepulturas
e seus conteúdos.
Palermo e Lilibeu são duas cidades que representam as duas fases
de colonização semita da Sicília Ocidental. A primeira
é fenícia, iniciada por volta do séc. VIII a.C. , e
marcada pela fundação de três cidades: Mótia,
Palermo e Solunto. A segunda é cartaginesa, iniciada no final do
séc. VI a.C., devido à expansão do poderio comercial
e colonial de Cartago, no norte da África, esta também colônia
fenícia da primeira fase, que atinge seu auge no séc. IV a.C.
É nesse momento que os antigos centros fenícios da Sicília
são revitalizados e novos centros são fundados, como é
o caso de Lilibeu, fundada a partir da população sobrevivente
de Mótia, após a destruição desta última
por Dionísio de Siracusa em 397 a.C., e que logo se torna a base
militar de Cartago na ilha.
O recorte cronológico das sepulturas da necrópole de Palermo
vai do séc. VIII ao II a.C., sendo verificadas duas maiores freqüências
de sepulturas: a principal, concentrando-se nos sécs. VI-V a.C.,
e a secundária, concentrando-se nos sécs. IV-III a.C. E o
recorte cronológico das sepulturas da necrópole de Lilibeu
vai do séc. IV ao I a.C., sendo que a maior freqüência
de sepulturas se concentra nos sécs. IV-III a.C.
Como não trabalhamos diretamente com os vestígios arqueológicos
mas sim com a documentação publicada sobre esses vestígios,
que por sua vez é vasta, heterogênea e incompleta, foi necessária
uma primeira etapa de organização e sistematização
dos dados a respeito dessas sepulturas, tendo como resultado o Corpo Documental
apresentado na Dissertação. Este Corpo Documental foi dividido
em duas partes: na primeira foram tabulados os dados sobre as sepulturas,
como orientação, medidas, descrição da estrutura,
organização interna dos achados, forma de deposição
do morto, estado de conservação e mobiliário; na segunda
foram listados e descritos os objetos que compunham o mobiliário
funerário, organizados por necrópole, por sepultura e por
tipo de material, além da datação atribuída
à sepultura com base nos objetos, segundo o relatório de escavação.
Da necrópole púnica de Palermo, foram analisados relatórios
de quatorze campanhas de escavação, datadas de 1834 a 1980,
totalizando 491 sepulturas estudadas. Da necrópole púnica
de Lilibeu, foram analisados relatórios de sete campanhas de escavação,
datadas de 1894 a 1970, totalizando 138 sepulturas estudadas.
Para uniformizar e sistematizar os dados das sepulturas contidos em relatórios
tão heterogêneos, estabelecemos um critério de coleta
de dados com base em categorias primárias de observação
, consideradas fundamentais para o conhecimento de um contexto arqueológico
funerário. Essas categorias estão agrupadas aqui em três
níveis: 1) Estrutura, com informações da sepultura
em si, como detalhamento da construção, medidas, orientação
da sepultura e seu estado de conservação; 2) Morto, com informações
do morto, como deposição (no que se refere ao rito praticado),
local de deposição e conservação dos restos
mortais; e 3) Mobiliário Funerário, com a quantidade e a descrição
dos objetos que acompanhavam o morto no momento do achado.
A tipologia proposta nesta pesquisa é baseada na variação
e no arranjo dos dois primeiros itens, Estrutura e Morto. A tipologia tumbal
foi estabelecida a partir da observação dos atributos intrínsecos
às sepulturas, por isso trata-se de uma tipologia morfológica.
Esses atributos são observáveis em dois grupos de variáveis:
1) variáveis ACESSO e No DE SEPULTURAS, chamadas ARRANJO EXTERNO,
e 2) variável de ARRANJO INTERNO. As sepulturas que apresentam apenas
ARRANJO INTERNO foram denominadas Sepulturas de Estrutura Simples, e as
que apresentam ambos, ARRANJO EXTERNO e ARRANJO INTERNO, foram denominadas
Sepulturas de Estrutura Complexa.
Os tipos tumbais foram estabelecidos considerando-se o conceito da sepultura,
a imagem mental que em essência fazemos dela, somado às variáveis
de ARRANJO EXTERNO (ACESSO e NO DE CÂMARAS). Em suma, à observação
da constituição física da sepultura, da sua estrutura
em si. Os subtipos tumbais, por sua vez, foram estabelecidos a partir da
variável de ARRANJO INTERNO: fundamentalmente a observação
da forma de deposição do morto concernente ao rito praticado
e ao local de deposição no interior da estrutura.

(Clique na imagem
para ampliar)
TIPOS SUBTIPOS
Os padrões funerários foram apreendidos da observação
da tipologia tumbal, da análise da composição do mobiliário
funerário, considerando-se seus aspectos funcionais, e também
das considerações cronológicas a respeito dos tipos
tumbais e do mobiliário funerário.
Trata-se de um trabalho original em sua temática e em sua abordagem.
Apesar de existirem alguns trabalhos sobre aspectos específicos dos
contextos funerários púnicos da Sicília , nenhum trabalho
de síntese havia sido elaborado até então.
Obs.: Em alguns casos faz-se necessária a lista dos tipos tumbais
estabelecidos; verif. dissertação.
Resumo da Tese de Doutorado
Esta pesquisa de doutorado teve como objetivos definir os padrões
funerários fenício-púnicos da Sicília com o
estabelecimento de uma tipologia tumbal para as necrópoles dos quatro
principais sítios: Mótia, Palermo, Solunto e Lilibeu. Além
disso, confrontou essa tipologia com a das sepulturas da metrópole
de Cartago para verificar, nas constantes, o que é originário
da Fenícia, o que é cartaginês e o que é eminentemente
produto do ambiente siciliano. Ela se insere no quadro geral dos estudos
sobre a Civilização Fenício-Púnica no Mediterrâneo
Antigo.
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